Veja algumas das primeiras fotos coloridas do mundo

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Frente a universos de imagens que viajam pela internet a cada segundo, é difícil imaginar que a primeira foto surgiu em 1839, há pouco mais de 180 anos. Naquele ano foi anunciado e vendido ao grande público o primeiro processo fotográfico, o Daguerreótipo, invenção de Louis Daguerre, ainda monocromática.

A foto era uma imagem fixada sobre uma placa de cobre, com um banho de prata, formando uma superfície espelhada. Nesse tipo de foto não havia negativo; era uma imagem única fixada diretamente sobre a placa final após alguns segundos de exposição.

A invenção da fotografia em preto e branco foi o ponto de partida para uma grande corrida às fotos em cores, que o mundo não tinha a menor ideia de como seriam, mas desejava ansiosamente. A espera ainda durou cerca de 20 anos de pesquisas por centenas de cientistas e curiosos, até que um método confiável fosse descoberto.

A primeira fotografia em cores

Fonte: Wikimedia CommonsFonte: Wikimedia Commons

Em 1861, o físico escocês James Clerk Maxwell e seu assistente Thomas Sutton realizavam estudos sobre como o olho humano percebe cores. Conheciam os estudos de Sir Isaac Newton que tinha usado um prisma para dividir a luz do sol em 1666. Era, portanto, um princípio básico que luz resultava de uma combinação de sete cores.

Assim, Maxwell pediu a Sutton que tirasse três fotos de uma fita cor de tartan (xadrez), cada uma através de um filtro colorido diferente: vermelho, verde e azul. Depois, usando lâmpadas com filtros dessas mesmas cores, ele projetou as imagens alinhadamente numa tela.

A imagem resultante era colorida. Na verdade, a técnica mostrou algumas falhas, como uma captação muito maior de azul do que verde, e a quase inexistência do vermelho. O tom avermelhado que se vê é uma captação acidental do ultravioleta. Ainda assim, esse método funcionou e inspirou a atual tecnologia RGB.

O trabalho resultante é considerado como a primeira fotografia colorida do mundo, e está em exibição do National Media Museum em Bradford, no norte da Inglaterra.

Novos processos de fotos coloridas

Fonte: trialsanderrors/Flickr - ReproduçãoFonte: trialsanderrors/Flickr – Reprodução

Apesar desse sucesso inicial, a foto colorida ficou mais no plano da experiência científica do que de um produto para utilização. Alguns pesquisadores chegaram a produzir fotos em cores, mas estas desapareciam tão logo expostas à luz solar.

Em 1894, o físico irlandês John Joly desenvolveu, em parceria com Louis Ducos du Hauron, o chamado Processo de Cores Joly, que usava uma placa fotográfica de vidro, com linha verticais vermelhas, verdes e azuis com menos de 0,1 milímetro impressas. Embora tivesse sido comercializado a partir do ano seguinte, não foi adiante por ser muito caro, e as emulsões ainda muito rudimentares.

Fonte: Library of Congress/Flickr - ReproduçãoFonte: Library of Congress/Flickr – Reprodução

Frederic Eugene Ives, um inventor norte-americano, criou o Kromogram em 1897: eram uma espécie de slides que necessitavam de um visualizador para serem observados. A complexidade do processo e a necessidade do tal visualizador, o Kromskop, inviabilizaram o novo empreendimento. 

Cansados de esperar a tão desejada invenção, fotógrafos profissionais passaram a pintar suas fotos monocromáticas à mão. Era um método relativamente simples, e barato que acabou se transformando numa arte que continuou popular mesmo depois de inventada a fotografia colorida.

O Photochrom e os irmãos Lumière

Fonte: Wikimedia CommonsFonte: Wikimedia Commons

O primeiro processo de foto colorida utilizado comercialmente foi o chamado Photochrom, inventado pelo suíço Hans Jakob Schmid e consistia num pedra de calcário sensível à luz. As fotos, muito belas, eram um misto de fotografia e impressão, portanto muito trabalhosas e caras. 

Finalmente, já no século XX, os irmãos Auguste e Louis Lumière, que haviam inventado o cinematógrafo em 1895, criaram o seu próprio processo de fotos coloridas, o Autochrome Lumière, baseado num mosaico de minúsculos grãos de fécula de batata tingidos pelas três cores primárias (vermelho alaranjado, verde e azul-violeta).

O processo Autochrome era de fácil utilização e funcionava em várias câmeras já existentes. O tempo de exposição era curto (no máximo 30 segundos) ao contrário de outros processos que levavam horas. 

Fonte: The Royal Photographic Society Collection/Getty Images - ReproduçãoFonte: The Royal Photographic Society Collection/Getty Images – Reprodução

As imagens produzidas com amido de batata microscópico muitas vezes deixavam transparecer os corantes, mas isso que seria um defeito passou a ser considerado como um efeito, adicionando uma característico “impressionista” às fotos. Isso tornou os autocromos populares, mesmo depois da chegada dos filmes em cores naturais.

Apesar dos progressos, as fotos continuavam a ser produzidas em placas únicas, do mesmo jeito que os antigos daguerreótipos, até que, nos anos 1930, surgiram as primeiras versões em filme: o Lumière Filmcolor em 1931, o filme em rolo Lumicolor de 1933 e o Alticolor em 1952. 

Fonte: Robert Yarnall Richie/Wikipedia - ReproduçãoFonte: Robert Yarnall Richie/Wikipedia – Reprodução

No entanto, o surgimento, em 1935, dos filmes Kodachrome (em 8, 16 e 35 milímetros) e o Agfacolor alemão (de 1932), com suas cores mais realistas, determinaram o fim da era Autochrome, que parou de ser fabricado em 1955. 

As fotos aqui apresentadas representam várias etapas da evolução da fotografia, literalmente a arte de escrever com luz.