A lendária picareta de Trotsky: a arma que matou o revolucionário

Em 1939, o revolucionário marxista e bolchevique Leon Trotsky, um dos peões centrais da Revolução Russa, foi convidado pelo então presidente do México Lázaro Cárdenas para permanecer exilado no país pelo tempo que precisasse, uma vez que ele havia sido jurado de morte pelo seu inimigo Josef Stalin.

Para isso, o líder da União Soviética infiltrou o espião Ramón Mercader sob o pseudônimo de Jacques Mornard para se tornar amigo de Trotsky e seus guardas armados para poder executar o organizador do Exército Vermelho.

Graças às relações de sua namorada, Sylvia Ageloff, o espião vestiu o personagem de um diplomata belga nascido no México que havia se transformado em um homem de negócios, cujas ideologias flertavam com o trotskismo, para poder se aproximar de seu alvo.

A arma lendária

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

De acordo com o historiador Eduard Puigventós, assassinar Trotsky não foi uma tarefa fácil para Mercader. Mesmo certo de sua missão, o peso dela fez o homem se deteriorar fisicamente, emagrecendo muito rapidamente e adquirindo um aspecto macilento. Em junho de 1940, ele já havia atingido o apogeu da paranoia, falando sozinho, bebendo e fumando sem parar na esperança de atenuar o nervosismo que o consumia.

Foi nessa situação que Mercader reuniu três armas para o crime: uma pistola automática calibre 45, um facão de 35 centímetros e uma picareta de alpinista – um dos objetos mais incomuns entre suas opções.

Apesar de ele ter dito que escolheu a picareta porque sabia manuseá-la melhor, Puigventós acredita que Mercader tenha optado por ela porque pretendia fugir depois do crime, visto que a pistola faria muito barulho e o facão requeria a habilidade que ele não possuía. Além disso, a picareta era uma ferramenta tão incomum que nem sequer estava listada no código penal mexicano como arma.

(Fonte: The Straits Times/Reprodução)(Fonte: The Straits Times/Reprodução)

Em 20 de agosto de 1940, Mercader disferiu um golpe fatal na cabeça de Leon Trotsky, que gritou e tentou lutar com seu assassino na fração de segundos entre reagir e cair morto. O espião foi julgado e condenado, passando 20 anos na prisão e morrendo em Havana, em 1978.

Após 78 anos, a arma lendária que matou o famoso revolucionário foi exposta em 2018 no Museu Internacional da Espionagem, em Washington, ao lado de outras 7 mil relíquias do serviço secreto do século passado. A picareta foi doada por um colecionador chamado H. Keith Melton, que a teria comprado de Ana Alicia Salas, uma mexicana que, segundo ele, a manteve escondida debaixo da cama durante 40 anos.

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