Aos 10 anos, Samantha Smith tentou acabar com a Guerra Fria

Nascida em 29 de junho de 1972, em Houlton, no Maine (EUA), Samantha Smith tinha apenas 10 anos quando impressionou o país ao falar sobre questões mundiais que iam muito além dos conhecimentos de alguém com a sua idade.

Sabendo sobre os terrores da Segunda Guerra Mundial e o clima que o mundo estava com a Guerra Fria, Smith descobriu o que aconteceria com o futuro de seu planeta caso uma guerra nuclear começasse.

(Fonte: Taringa!/Reprodução)(Fonte: Taringa!/Reprodução)

Então quando o secretário-geral soviético Yuri Andropov estampou a edição de 22 de novembro de 1982 da revista Time, ela foi incentivada por sua mãe a escrever uma carta para o novo líder da então União Soviética.

Sem hesitar, a garotinha aceitou, fazendo perguntas como: “Você vai votar para fazer uma guerra ou não?” e “Eu gostaria de saber por que se você quer conquistar o mundo ou apenas nosso país”.

A mensagem foi postada em dezembro daquele ano e poderia ser apenas uma das milhares de cartas de civis enviadas para o governo, até que o jornal soviético Pravda publicou alguns trechos da carta com comentários de Andropov meses depois.

A promessa do Maine

(Fonte: Yankee Magazine/Reprodução)(Fonte: Yankee Magazine/Reprodução)

Ao descobrir que foi ouvida, Smith escreveu uma segunda carta, enviada ao embaixador soviético nos Estados Unidos, Anatoly Dobrynin, indagando o motivo de o líder não ter respondido diretamente a ela.

Em 26 de abril de 1983, em meio à tensão dormente entre os Estados Unidos e a União Soviética, Andropov convidou a jovem nascida no Maine para visitar o país para “ver por si mesma” tudo o que eles tinham para mostrar, garantindo que lá todos eram “a favor da paz e união entre os povos”.

(Fonte: Russian Personalities/Reprodução)(Fonte: Russian Personalities/Reprodução)

Samantha Smith, intitulada “Embaixadora Mais Jovem da América” pela imprensa, iniciou sua jornada em julho de 1983 ao aterrissar em solo inimigo. A sua visita não mudou o curso da guerra tampouco impactou em decisões políticas, apenas serviu para humanizar ambas as nações diante da sociedade, em uma época que o americano era visto pelos soviéticos como uma ameaça igual ou pior que os alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Com seus pais e cercada por uma comitiva de imprensa, ao longo de duas semanas Smith visitou o túmulo de Lenin, o Balé Bolshoi, o acampamento de verão Artke na Crimeia, e conheceu Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir ao espaço.

“Algumas pessoas têm uma impressão errada sobre os soviéticos. Eles querem paz como eu”, disse a jovem à imprensa.

A noite chuvosa

(Fonte: Reddit/Reprodução)(Fonte: Reddit/Reprodução)

Assim que voltou para o Maine, a garota já era uma celebridade e continuou sua caminhada pela mídia para relatar todas as impressões e experiências de sua visita. No entanto, nem todos estavam contentes com o que ela havia se tornado. Muitos alegaram que ela havia sido usada como propaganda e peão político por ambos os governos para distrair a sociedade dos problemas reais.

“Embora seja possível que o objetivo soviético fosse usá-la para projetar uma imagem de uma nação amante da paz, Smith e a viagem de seus pais também colocaram os americanos em uma luz favorável, dificultando para os soviéticos continuarem suas descrições dos americanos como fomentadores da guerra e do mal”, ressaltou a professora e historiadora Lena Nelson ao The Smithsonian.

(Fonte: LiveJournal/Reprodução)(Fonte: LiveJournal/Reprodução)

Às 22h de uma noite chuvosa de 25 de agosto de 1985, no auge de sua publicidade como um símbolo de curiosidade e franqueza, Samantha Smith e seu pai morreram em um acidente de avião quando voltavam para casa após as filmagens de uma série de televisão.

O mundo se comoveu com o fim da “Embaixadora Mais Jovem da América”, e a especulação acerca das circunstâncias de sua morte prevaleceram até que os Estados Unidos divulgassem o relatório da investigação em que constava que o mau tempo, a velocidade do avião e a falta de experiência dos pilotos culminou em uma queda fatal.

Jane Smith, mãe da jovem, voltou à União Soviética no ano seguinte com 20 colegas de classe de sua filha para visitar centenas de memoriais erguidos em homenagem a ela. 

Por muitos anos a mulher esteve coordenou uma fundação que promovia intercâmbios culturais entre estudantes norte-americanos e soviéticos como forma de prolongar o legado de sua filha.

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