Os superalimentos que podem acabar com a fome no Brasil

Você já ouviu falar no buriti? Apesar de pouco conhecida pelas pessoas, o Brasil chega a produzir entre 60 milhões e 70 milhões de toneladas desse fruto, considerado o mais rico em carotenoides do mundo — pigmentos avermelhados encontrados na natureza. E mesmo com tamanha produção, apenas uma pequena parcela da produção de buriti é realmente aproveitada pelos seres humanos.

Os dados foram levantados pelo botânico Paulo Bezerra Cavalcante em seu livro Frutas comestíveis na Amazônia (2010). E esse está longe de ser o único caso de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) que são simplesmente rejeitadas por não terem um mercado estabelecido no país. 

Crescimento abundante e rejeição

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

O buriti é um fruto que cresce em uma palmeira abundante na Amazônia e no Cerrado, mas nunca conseguiu se estabelecer na mesa dos brasileiros. Especialistas apontam que esse superalimento possui propriedades antioxidantes que ajudam a prevenir o câncer e outras doenças. Mesmo podendo ser consumido in natura ou transformado em farinha, doces e pães, ele continua sendo negligenciado.

Ao passo que os alimentos ficam mais caros no Brasil e a fome aumenta, as PANCs aparecem como uma saída para saciar as necessidades da população — porém são ignoradas pela indústria alimentícia. Por exemplo, diversas hortaliças que nascem espontaneamente em campos agrícolas e canteiros são vistas como ervas daninhas e prontamente descartadas.

Em comum, muitas delas são consideradas superalimentos por também possuírem muitos nutrientes, principalmente minerais, vitaminas e antioxidantes. Segundo o botânico Valdely Kinupp, existem 351 espécies alimentícias “subutilizadas, mal conhecidas e negligenciadas” pela população brasileira. Os dados aparecem em seu livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil (2014).

Oferta de PANCs

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Nos últimos anos, alguns mercados e feiras têm aumentado sua oferta de PANCs graças ao trabalho de divulgação feito por chefs e criadores de conteúdo em plataformas digitais como o Instagram e o YouTube. Mesmo assim, ainda falta muito para essas plantas serem consideradas “não convencionais”.

Por exemplo, algumas PANCs são consumidas em regiões específicas do Brasil, mas rejeitadas em outras. O cará-de-espinho é uma trepadeira nativa das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste que produz tubérculos comestíveis que podem ultrapassar 180 kg, mas só é consumido por aldeias indígenas e em comunidades rurais no Baixo Amazonas. 

Outras PANCs até chegam a ser consumidas nacionalmente, porém têm partes comestíveis descartadas. Isso acontece com o miolo do mamoeiro, que pode ser transformado em doces e farinha, e com o “coração” da bananeira,  que pode ser servido refogado ou como recheio de pastéis. 

Segredo para o futuro

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

E o que pode ser feito para que esse tipo de superalimento chegue cada vez mais na boca do consumidor brasileiro? Em entrevista à BBC, pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, da Embrapa Hortaliças, acredita que existem três saídas possíveis para o futuro da alimentação nacional.

Em primeiro lugar, Madeira defende ser preciso existir um incentivo para o cultivo de plantas não convencionais, com oferecimento de apoio técnico aos agricultores e com a criação de feiras para a venda desse tipo de produto. Depois disso, seria necessário expandir o debate e conhecimento sobre a comida nas escolas.

Dessa forma, as crianças aprenderiam a importância do consumo de produtos frescos e nutritivos, assim como suas origens. Em último lugar, a agricultura urbana seria uma saída para reaproximar a população das grandes cidades da produção de alimentos. Assim, até mesmo pessoas com um pequeno quintal em casa conseguiriam se estabelecer como autossustentáveis e aprenderiam mais sobre a importância do consumo de alimentos naturais.

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