Por que bater na garrafa de cerveja faz ela espumar e derramar?

Por muito tempo, o clássico movimento de festas de bater cerveja, que consiste em causar um “vulcão de espuma” após atingir o gargalo de uma bebida aberta foi um mistério para a ciência e muitos especialistas buscavam entender o que motivava essa reação em cadeia. Agora, um novo estudo entrega as primeiras respostas para o fenômeno e mostra que a explosão surge em detrimento de eventos minúsculos e imperceptíveis dentro do líquido.

Os primeiros estudos conhecidos sobre o fenômeno ocorreram quando o físico Javier Rodriguez Rodriguez, da Universidade Carlos III, em Madri, e sua equipe foram visitar um bar e viram uma montanha de espuma surgir após alguém atingir o gargalo da garrafa aberta com uma leve batida. Intrigado, o especialista decidiu levar o experimento para seu laboratório e testá-lo por conta própria, na tentativa de entender o que estaria causando a liberação espontânea da bebida.

Na instalação, os físicos repetiram inúmeras vezes o processo e o filmaram através de câmeras de alta velocidade, de forma a entender quais os eventos que impulsionariam a subida da espuma. Logo, foram capazes de determinar o passo a passo para a reação em cadeia e concluíram que acertar um golpe no topo da garrafa gera uma série de mini explosões dentro do líquido, causando nuvens de cogumelo semelhantes às das bombas atômicas.

(Fonte: uc3m Fluid Mechanics / Reprodução)(Fonte: uc3m Fluid Mechanics / Reprodução)

“Na verdade, as leis da física que controlam a criação dessa formação exagerada de espuma de cerveja são as mesmas que [impulsionam] o desenvolvimento da nuvem em uma bomba atômica”, diz Rodriguez. “Obviamente, não há material nuclear na cerveja. Então a fonte da explosão é muito diferente, mas a nuvem de cogumelo que você vê é muito semelhante.”

O processo

Uma batida rápida no gargalo aberto envia ondas através do líquido e faz com que pequenas bolhas pulsem, encolhendo e se expandindo. Em certo instante, as bolhas não suportam mais a energia da compressão e entram em colapso rapidamente, dividindo-se em fragmentos menores que começam a crescer após a entrada do dióxido de carbono.

Assim, várias nuvens de fumaça pequenas passam a subir em direção ao topo da garrafa e criam um sistema de autoalimentação onde as bolhas continuam em constante movimento, causando um evento incontornável em que uma explosão de espuma ocorre após algumas centenas de milissegundos.

Notícias do Amanhã

NoticiasDoAmanha.net