Quando uma estátua da Virgem Maria foi condenada por bruxaria

Com a influência de grupos religiosos e a ascensão dos movimentos reformistas, o período situado entre o século XV e XVI foi marcado por uma intensa propaganda de caça às bruxas, em que mulheres de baixas castas sociais passaram a ser levadas à Inquisição para “pagar por seus pecados” de heresia, contravenção e exaltação de magia maléfica. Esses atos extremos renderam, então, histórias assustadoras e curiosas que por diversos aspectos caracterizaram uma época de ceticismo, ódio e manipulação ideológica, como houve com o estranho caso da estátua da Virgem Maria acusada de bruxaria.

Fundada no século II como um assentamento humano, a região de Riga, atual capital da Letônia, evoluiu rapidamente para um importante centro comercial e se destacou como uma rota de referência para Bizâncio. Após décadas de consolidação, a cidade passou a atrair mercadores e grupos religiosos, tendo seu ápice por volta do século XII, quando as Cruzadas estabeleceram a conversão forçada ao cristianismo.

(Fonte: Wikipedia / Reprodução)(Fonte: Wikipedia/Reprodução)

Com a aceitação da Reforma em 1522, o poder dos arcebispos, que até então tinham na figura de Albert, sobrinho de Hartwig II, a grande referência moral e religiosa, foi encerrado após quase três séculos de domínio, devido a tensões políticas, militares e econômicas causadas pelo fim da influência da Liga Hanseática. Assim, deu-se início a uma briga sem precedentes entre católicos e protestantes, resultando em eventos violentos de blasfêmia, vandalismo e conflitos de ideais.

A estátua da Virgem Maria

O fervor pela crise administrativa e pela limitação no apoio de países vizinhos fez com que grupos agissem com mais determinação contra contraventores da Fé, e não somente as mulheres acusadas de bruxaria se tornaram alvos, mas também estátuas e figuras que exaltavam santos. Isso porque enquanto os católicos adoravam ídolos de pessoas santificadas, os protestantes os encaravam apenas como superstições sem sentido e chegaram ao ponto de apontar a estátua da Virgem Maria como uma bruxa.

(Fonte: Aleanerd / Reprodução)(Fonte: Aleanerd/Reprodução)

Em 1524, a estátua da Virgem Maria da Catedral, condenada por bruxaria, foi jogada no rio Daugava para ter uma experiência de prova d’água. Após a imagem flutuar e supostamente não “receber” um banho considerado sagrado, ela foi queimada em Kubsberg, como um ato de repressão visto como deliberadamente insultuoso e ofensivo. 

Esse conflito aparentemente sem sentido terminaria apenas anos depois, quando Riga tornou-se uma cidade autônoma e autossustentável, graças à união polaco-lituana em 1569 e à formalização do Tratado de Nystad, que declarou paz e interrompeu a Grande Guerra do Norte em 1721.

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