Werwolf: a operação nazista baseada nos lobisomens germânicos

Adolf Hitler nunca poupou esforços para tentar incrementar, com algum esplendor, a ideologia nazista, por isso se apropriou de alguna símbolos místicos, como a Cruz Gamada, mais conhecida como suástica. Ele usou e abusou do folclore germânico e das lendas do ocultismo para fortificar sua narrativa de poder e conseguir alienar o povo alemão.

Vasculhando desde o Santo Graal até a bruxaria antiga, Hitler conseguiu chegar a lobisomens. De acordo com alguns folcloristas do século XIX, os animais representavam personagens imperfeitos, mas bem-intencionados e que podiam ser bestiais, sendo ligados à floresta, à selva, ao sangue e ao solo. 

“Eles representavam a força e a pureza alemãs contra os intrusos”, escreveu Eric Jurlander em seu livro Hitler’s Monsters: A Supernatural History of the Third Reich.

Não é para menos que Heinrich Himmler chamou Operação Werwolf (lobisomem em inglês) o plano criado no verão de 1944, quando ordenou que os tenentes nazistas da SS Adolf Prützmann e Otto Skorzeny se infiltrassem atrás das linhas dos Aliados com uma tropa de elite paramilitar para sabotar as linhas de abastecimento.

Naquele momento, nos meses finais da Segunda Guerra Mundial, as tropas inimigas avançavam cada vez mais na Alemanha, e o Exército Vermelho imobilizava os militares na frente oriental.

Projeto alienação

(Fonte: Telegram Analytics/Reprodução)(Fonte: Telegram Analytics/Reprodução)

Foi usando desse sobrenatural que os nazistas organizaram grupos de guerrilhas de civis armados para defender sua terra e morrer lutando contra os exércitos Aliados que estariam prontos para “escravizar os alemães” — como muito foi disseminado pela Radio Werwolf, transmitida pela cidade de Nauen, perto de Berlim, em 1º de abril de 1945.

Em janeiro daquele ano, a mídia norte-americana começou a especular por que os alemães tentariam prolongar a guerra por meio da elite da SS e da Juventude Hitlerista fanática, que treinava para atacar os invasores do território alemão.

(Fonte: War History Online/Reprodução)(Fonte: War History Online/Reprodução)

O historiador Stephen Fritz ressalta que a inteligência dos Estados Unidos temia a organização e via os guerrilheiros como uma “ameaça à segurança nas zonas de ocupação americana e Aliada”.

No entanto, ainda que a “propaganda de lobisomem” tenha conseguido intimidar as forças Aliadas, em nada ajudou os cidadãos alemães, alimentando o medo naqueles que não tomaram partido na operação e fazendo os que foram atraídos lutarem por uma causa perdida, acreditando que estavam salvando seu país.

Poucos anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, os “lobisomens” de Adolf Hitler se tornaram uma vaga memória, embora nunca tenham desaparecido totalmente da mídia e da mente dos políticos norte-americanos.

Notícias do Amanhã

NoticiasDoAmanha.net